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13/11/2008 - 09:35:05

Setor elétrico intensifica debate sobre integração energética
Tema depende de vontade política dos países da América do Sul, segundo debate ocorrido no X Edao
 
A integração energética na América do Sul começa a ganhar mais espaço no setor. Governo e empreendedores começam a analisar com mais detalhes os desafios e oportunidades que interligações com países vizinhos podem representar para o Brasil. O tema, debatido no X Encontro para Debates de Assuntos da Operação, realizado na última terça-feira, 11 de novembro, em São Paulo, ainda depende de análises, mas há consenso de que a implantação depende de vontade política dos governos envolvidos.

Para o presidente da Cteep, Sidnei Martini, a questão principal é a decisão política a ser tomada a respeito da integração. Ele lembra que o desafio da integração energética de países vizinhos não será novidade, já que num passado não tão distante, os estados do Brasil não eram conectados entre si, e que a formação da atual malha nacional demandou negociações de ordem técnica, econômica e política entre os estados e as autoridades energéticas nacionais.

'A Cemig só atuava em Minas, a Cesp em São Paulo, a Copel no Paraná. Para se ter uma idéia, o Rio de Janeiro tinha freqüência de 50 Hz', lembrou o executivo. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, salientou que a integração pode avançar a partir de conexões individuais, com negociação de energia entre países via preço na fronteira. Chipp acredita que ainda será distante uma integração de mercados, mas já ocorreram avanços nesse campo, com os recentes envios de energia hídrica para Argentina e Uruguai, com posterior devolução por esses países.

Já o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, observou que o planejamento ainda não está considerando as iniciativas em andamento, que envolvem estudos da Eletrobrás para a construção de seis usinas no Peru e uma hidrelétrica binacional na Argentina, bem como a implantação de uma interconexão com a Venezuela. Tolmasquim observou que restrições ambientais para a implantação de projetos hídricos no Brasil pode levar à captação de projetos dessa fonte hídrica em outros países, o que, na avaliação dele, é uma distorção.

Daniel Kaller, executivo da Cammesa, operador do sistema elétrico argentino, destacou que recentemente Brasil, Argentina e Uruguai deram exemplo de integração, quando o Uruguai recebeu energia do Brasil via Argentina. A medida se deu porque a conexão entre Brasil e Uruguai é limitada em 72 MW e o país vizinho demandava mais energia. Como a Argentina possui interligação com o Uruguai, acabou atuando como intermediário para o transporte da energia extra.

Pablo Corredor, executivo da XM (operadora do sistema colombiano) apresentou exemplos das conexões colombianas com outros países, enquanto o chefe do departamento de Energia Elétrica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Nelson Siffert, destacou a existência de linhas específicas de crédito para empresas nacionais que pretendam participar de projetos de interligações com outros países. Além disso, o secretário adjunto da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Ricardo Toledo, observou que o estado de São Paulo representa 13% do Produto Interno Bruto da América Latina, com grande base industrial instalada. A integração energética, avalia, beneficiará o estado por conta do potencial que abre para o estado.

 
Autor: Fábio Couto, da Agência CanalEnergia
Fonte: Canal Energia
 
 
 

 

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